Governo federal negocia ingressos acessíveis ao público na Copa feminina de 2027
O preço dos ingressos e a entrada de turistas estrangeiros no Brasil estão entre as principais preocupações do governo para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Em entrevista ao Sport Insider, o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, afirmou que o governo já conversa com a Fifa para buscar ingressos mais acessíveis à população brasileira.
A competição será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. A expectativa do governo é que o torneio atraia um grande número de torcedores brasileiros e estrangeiros, gerando impactos econômicos e ampliando a visibilidade do futebol feminino.
Segundo Cordeiro, mais de 800 mil pessoas já demonstraram interesse na competição desde a abertura das inscrições, em 9 de julho. O número foi registrado mesmo sem a definição dos preços dos ingressos, das cotas disponíveis ou de eventuais descontos.
“Não faz sentido ingressos com preços exorbitantes”, afirmou o ministro.
Governo quer ingressos acessíveis
A definição dos preços dos ingressos é responsabilidade da Fifa, mas o Ministério do Esporte afirma que pretende participar das discussões para tentar garantir opções que sejam acessíveis a diferentes faixas da população.
A preocupação aumentou após a Copa do Mundo masculina de 2026, quando a Fifa adotou um modelo de precificação dinâmica, no qual os valores podem variar de acordo com a procura. A entidade também criou uma plataforma própria para a revenda dos ingressos.
Para a Copa feminina de 2027, ainda não havia uma definição da Fifa sobre os preços das entradas. A expectativa do governo brasileiro é que sejam criadas alternativas que permitam a presença de um público amplo nos estádios.
Facilitação para turistas estrangeiros
Outro ponto considerado estratégico pelo governo é a entrada de estrangeiros no Brasil durante o Mundial. Segundo o ministro, o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Itamaraty, trabalha em medidas para facilitar o recebimento de turistas, atletas, dirigentes e autoridades durante a competição.
A intenção é evitar dificuldades enfrentadas por estrangeiros em outros eventos esportivos recentes e tornar a experiência de quem viajará ao Brasil mais simples.
O turismo é considerado um dos principais componentes do impacto econômico esperado para a Copa. Um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado pela Embratur estima um impacto de aproximadamente R$ 8,8 bilhões na economia brasileira. Desse total, cerca de R$ 4,7 bilhões seriam provenientes dos gastos realizados por turistas.
Plano de legado ainda é cobrado
Apesar das projeções econômicas, o governo ainda é cobrado pela definição de metas para o legado da competição.
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério do Esporte apresente um plano com objetivos, fontes de financiamento e mecanismos para acompanhar os resultados da Copa mesmo após o encerramento do torneio.
O prazo para apresentação do documento vence nesta semana. Cordeiro afirma que o plano será entregue dentro do prazo estabelecido pelo tribunal.
A cobrança surgiu porque, sem metas e indicadores definidos previamente, fica mais difícil avaliar os resultados deixados pela competição. O TCU também apontou dificuldades para obter informações sobre os investimentos atuais no futebol feminino, incluindo recursos da Lei de Incentivo ao Esporte e do programa Bolsa Atleta.
O tribunal também questionou a participação feminina entre os mais de 11 mil atletas contemplados pelo Bolsa Atleta em 2026. Durante a entrevista, o ministro não soube informar quantas mulheres fazem parte do programa.
O TCU apontou ainda um possível desalinhamento entre o discurso de fortalecimento do futebol feminino e as ações relacionadas à organização da Copa. Um dos exemplos citados foi a criação do comitê gestor da competição, formalizado apenas em setembro de 2025, mais de um ano depois de o Brasil ser escolhido como sede.
Cordeiro reconheceu que os questionamentos do tribunal são pertinentes e afirmou que a fiscalização dos órgãos de controle é necessária. Ao mesmo tempo, destacou que já existiam articulações entre cidades-sede, Estados e Fifa antes da criação formal do comitê.
Pagamento às pioneiras do futebol feminino
Outro compromisso relacionado ao futebol feminino que deve ser cumprido neste ano é o pagamento às jogadoras que participaram das primeiras edições de Mundiais femininos, em 1988 e 1991.
A Lei 15.421 prevê o pagamento de R$ 500 mil para cada uma das pioneiras contempladas. De acordo com o ministro, os valores devem ser pagos em novembro.
Cordeiro classificou a medida como um reconhecimento histórico às atletas que defenderam a Seleção Brasileira em um período em que o futebol feminino tinha pouca estrutura, visibilidade e apoio financeiro.
A história dessas jogadoras também está ligada às restrições enfrentadas pelas mulheres no esporte. Até 1979, a prática do futebol por mulheres era proibida no Brasil. Muitas das pioneiras atuaram sem remuneração e, devido à falta de profissionalização da modalidade, não tiveram as mesmas condições de proteção previdenciária disponíveis aos trabalhadores formais.
Com a Copa do Mundo Feminina de 2027 se aproximando, o governo brasileiro terá pela frente não apenas a organização do torneio, mas também o desafio de garantir acesso do público, facilitar a chegada de estrangeiros e transformar a competição em um legado duradouro para o futebol feminino no país.
Fonte: Jornal O Sul
