Federação Europeia de futebol anuncia boicote à Copa do Mundo em oposição ao interesse da Fifa de vender ações para investidores privados
A Uefa anunciou uma reação dura contra a proposta da Fifa de criar uma nova empresa para administrar seus torneios e permitir a entrada de investidores privados. Após uma reunião virtual, a entidade europeia informou que as 55 federações filiadas irão boicotar competições organizadas pela Fifa enquanto o projeto permanecer em discussão.
Segundo a Uefa, nenhuma seleção nacional europeia participará de torneios da Fifa caso a proposta não seja totalmente retirada e não sejam apresentadas garantias consideradas suficientes pela entidade.
A medida pode afetar competições importantes, incluindo a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. O boicote também poderia atingir outros torneios internacionais envolvendo seleções europeias.
A proposta da Fifa prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável pela administração comercial e organização das principais competições da entidade. A estimativa da Fifa é que a nova empresa tenha valor de aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,3 bilhões), com a possibilidade de venda de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em participação para investidores privados.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defende que a iniciativa permitiria ampliar as receitas e aumentar os repasses financeiros às federações nacionais. Atualmente, a entidade distribui cerca de US$ 8 milhões por ciclo a cada associação membro, valor que poderia chegar a US$ 20 milhões caso o projeto seja aprovado.
A Uefa, porém, rejeita a proposta e afirma que a Copa do Mundo e outros torneios da Fifa representam patrimônios esportivos construídos ao longo de gerações e não devem ser tratados como produtos de investimento.
A entidade europeia também criticou a forma como o projeto foi apresentado, alegando falta de consulta às federações e questionando o processo de tomada de decisão da Fifa.
A proposta ainda precisa passar por avaliação das associações-membro e do conselho da Fifa antes de qualquer decisão definitiva.
Fonte: Jornal O Sul.
