Tenistas terão de passar por teste genético para competir no circuito feminino, diz WTA
Por KaranPrashant Saxena
20 Jul (Reuters) - As tenistas deverão passar por um teste genético único para poderem competir no circuito feminino, informou a WTA após atualizar sua política de elegibilidade no domingo.
A WTA informou que o teste, a ser realizado uma única vez na vida, para o gene SRY — que ajuda a determinar o sexo biológico —, pode ser feito por meio de um esfregaço bucal ou exame de sangue, com a nova política entrando em vigor na terça-feira.
A política anterior da WTA permitia que mulheres transgênero participassem caso declarassem seu gênero como feminino e mantivessem um nível reduzido de testosterona por um período de dois anos antes de competir.
Não há mulheres transgênero conhecidas atualmente em atividade em nenhum nível do tênis profissional.
“A elegibilidade para participar de torneios da WTA será confirmada por meio de um processo de triagem obrigatório e único para o gene SRY”, disse um porta-voz da WTA à Reuters.
“A triagem das jogadoras terá início em 2026, seguindo todas as medidas adequadas de confidencialidade e proteção de dados e em paralelo a um programa abrangente de envolvimento das jogadoras."
“A WTA reconhece que esta é uma questão delicada e complexa e está comprometida em tratar todas as jogadoras com dignidade e implementar a política de maneira respeitosa e ponderada.”
A tenista transgênero Renee Richards competiu no circuito profissional feminino de 1977 a 1981, antes de se tornar treinadora da grande tenista e pioneira dos direitos dos homossexuais Martina Navratilova.
Navratilova, 18 vezes campeã de Grand Slam em simples, tem sido uma crítica ferrenha à inclusão de atletas transgêneros, enquanto a número um do mundo, Aryna Sabalenka, afirmou no ano passado que seria injusto para as mulheres enfrentarem jogadoras transgêneros.
Outros, como Billie Jean King — a 12 vezes campeã de Grand Slam em simples que venceu a original “batalha dos sexos” em 1973 —, consideram a exclusão de transgêneros uma forma de discriminação.
Várias federações esportivas, incluindo a World Athletics e a World Boxing, introduziram testes genéticos semelhantes nos últimos anos.
Em março, o Comitê Olímpico Internacional declarou que apenas atletas biologicamente do sexo feminino, cujo gênero tenha sido determinado por um teste único, estariam qualificadas para participar de eventos da categoria feminina nos Jogos Olímpicos.
Grupos de defesa dos transgêneros afirmam que excluir atletas transgêneros equivale a discriminação.
Os críticos da inclusão de atletas transgêneros argumentam que passar pela puberdade masculina confere aos atletas uma vantagem musculoesquelética que a transição de gênero não atenua.
(Por Aadi Nair, em Mumbai)