Mbappé rebate declarações racistas de senadora paraguaia após vitória da França

 


Por Rohith Nair

MIAMI, 6 de julho (Reuters) - O atacante francês Kylian Mbappé respondeu a uma senadora paraguaia nesta segunda-feira, dizendo que ela é uma “mulher desprezível”, após a política lançar um ataque racista contra ele depois da eliminação do Paraguai na Copa do Mundo.

O pênalti convertido por Mbappé fez a diferença em uma partida acirrada e tensa, na qual a França venceu por 1 x 0 na Filadélfia no último sábado, para avançar às quartas de final.

Celeste Amarilla escreveu um longo discurso racista repleto de insultos no X, descrevendo Mbappé como um “camaronês colonizado, tentando desesperadamente se passar por francês” e como um “bruto” que não havia aprendido a escrever. Os jogadores do Paraguai deveriam ter dado um tapa nele após a partida, acrescentou.

Mbappé, capitão da França, respondeu com um comunicado contundente, defendendo não apenas a si mesmo, mas também os jogadores do Paraguai.

“Senhora Celeste Amarilla, a senhora é uma mulher desprezível e indigna de seu cargo. A senhora não representa o Paraguai, esse país que derramou suor e demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição”, escreveu.

“Por causa da sua imprudência e de seu racismo descarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta Copa do Mundo, abrindo caminho para uma mulher incompetente que passa a pior imagem possível de seu país."

“Nunca permitirei que pessoas como ela tenham a liberdade de espalhar seu ódio e racismo pelo mundo.”

QUEIXA CRIMINAL

A Federação Francesa de Futebol (FFF) levou o caso adiante, anunciando planos de entrar com uma ação criminal e descrevendo as declarações dela como “absolutamente abomináveis e inaceitáveis”.

“Essas declarações são criminosas e repreensíveis. Elas devem ser processadas aqui, assim como em qualquer outro lugar. A Federação está encaminhando o caso ao Ministério Público com vistas a um processo judicial”, afirmou.

“Essas declarações são uma vergonha para quem as profere e para quem as divulga. Os jogadores da seleção francesa representam a França. É o nosso país que está sendo insultado.”

O governo paraguaio afirmou que “lamenta e rejeita as declarações” feitas por Amarilla e que elas são “contrárias aos valores e princípios que inspiram a coexistência pacífica e o respeito à dignidade humana que nosso país promove”.

“As declarações da legisladora mencionada correspondem exclusivamente ao exercício de sua responsabilidade individual como integrante do Poder Legislativo e de forma alguma representam a posição do Governo da República do Paraguai ou do povo paraguaio”, afirmou em comunicado.

O gabinete do presidente francês Emmanuel Macron disse que o presidente paraguaio lhe escreveu para expressar apoio e condenou as declarações.

Basilio Núñez, presidente do Congresso Nacional, afirmou que os comentários não representam os “valores genuínos” dos paraguaios.

“Como presidente do Congresso Nacional, rejeito veementemente mensagens racistas, xenófobas e aquelas que incitem violência contra qualquer pessoa”, disse Núñez.

“A seleção paraguaia deu tudo de si com honra e garra na Copa do Mundo. Política e esporte devem ser mantidos separados.”

O técnico adjunto da França, Guy Stéphan, afirmou: “Ainda não conversamos com Kylian, não tivemos a oportunidade."

"Mas, em três palavras: é vergonhoso, vil, ultrajante.”

(Reportagem de Rohith Nair em Miami, com contribuições de Javier Leira e Nick Mulvenney)