Falha na formação provoca primeira grande crise na Seleção Brasileira masculina de vôlei


A seleção brasileira masculina de vôlei vive um dos momentos mais difíceis de sua história recente. A eliminação na fase classificatória da Liga das Nações de Vôlei, com o nono lugar na competição, reforçou uma sequência de resultados abaixo do esperado, que inclui o oitavo lugar nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e a eliminação na primeira fase do Mundial de 2025, pior campanha do Brasil na história do torneio.

Para especialistas, o cenário atual é consequência de um problema que vem sendo alertado há anos: a dificuldade na formação de novos talentos. O Brasil, que entre as décadas de 1980 e 2010 era considerado um dos maiores celeiros do vôlei mundial, passou a enfrentar dificuldades nas categorias de base, com menos atletas e uma preparação considerada insuficiente para a transição ao alto rendimento.

Foi justamente a força das categorias inferiores que ajudou a construir a trajetória vitoriosa do vôlei brasileiro. Nas conquistas olímpicas de Barcelona-1992, Atenas-2004 e Rio-2016, jogadores revelados em processos de formação chegaram à seleção principal e se tornaram protagonistas, como Tande, Maurício, Marcelo Negrão, Giovane, Giba, Nalbert, Ricardinho, Bruninho, Wallace, Lucarelli e Lucão.

Nos últimos anos, porém, os resultados das equipes de base começaram a cair. O último título mundial da seleção sub-21 masculina foi conquistado em 2009, com uma geração liderada por Maurício Borges, campeão olímpico em 2016. Desde então, o desempenho brasileiro nas categorias inferiores perdeu força, culminando em campanhas ruins como o 18º lugar no Mundial sub-21 e o 10º lugar no Mundial sub-19.

A seleção adulta também passou a sentir os efeitos desse processo. O atual grupo comandado por Bernardinho reúne jogadores experientes, como Lucarelli, Flávio e Fernando Cachopa, mas ainda conta com muitos atletas jovens sem grande experiência em competições internacionais de alto nível.

Jogadores como Darlan, Brayan, Arthur Bento e Maicon são apontados como talentos importantes, mas ainda precisam adquirir maturidade para lidar com partidas decisivas e momentos de pressão.

Após a eliminação na Liga das Nações, o técnico Bernardinho reconheceu a necessidade de evolução, mas destacou que o trabalho de reconstrução exige tempo.

“Precisamos evoluir em muitas coisas, precisamos trabalhar. A autocrítica é muito maior do que as críticas que vêm de fora”, afirmou o treinador.

A comissão técnica agora aposta em uma sequência de treinamentos e amistosos internacionais para dar mais experiência ao grupo. A equipe fará partidas contra Japão e França, além da participação na Copa Fipav Elite, na Itália, diante de seleções como Itália, Cuba e Alemanha.

O principal objetivo da temporada será o Campeonato Sul-Americano, entre 15 e 20 de setembro, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, competição que dará ao campeão uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.

Fonte: Jornal O Sul