Infantino diz que intervalos para hidratação na Copa do Mundo são puramente esportivos, não comerciais
Os intervalos obrigatórios de três minutos, introduzidos aos 22 e 67 minutos de cada partida do torneio, têm gerado críticas de jogadores, técnicos e torcedores desde a primeira rodada de jogos.
Os intervalos, introduzidos para ajudar os jogadores a lidar com as altas temperaturas na América do Norte, abriram novas oportunidades de publicidade para as emissoras.
Isso alimentou o debate sobre seu impacto no jogo, com alguns telespectadores reclamando de serem expostos a comerciais durante as interrupções de três minutos.
“Não há receita adicional para a Fifa, já que todos os acordos comerciais foram assinados com bastante antecedência. Portanto, isso não é uma questão financeira para nós. Para nós, é puramente uma questão esportiva”, disse Infantino em comunicado na quarta-feira.
Os intervalos permitem que a comissão técnica dê instruções táticas durante a partida, uma mudança que, segundo os críticos, interrompe o ritmo e altera fundamentalmente a natureza do jogo.
O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, disse que a pausa adicional “interrompe e altera a identidade da partida de futebol”, enquanto o técnico do Uruguai, Marcelo Bielsa, afirmou que dividir as partidas em segmentos mais curtos retira a característica fundamental do esporte.
O técnico da Espanha, Luis de la Fuente, e o capitão da Holanda, Virgil van Dijk, apoiaram a intenção por trás da regra em condições de calor extremo, mas questionaram a necessidade dela em climas mais amenos e em estádios cobertos.
“O principal motivo é o calor, mas também precisamos entender que, em uma competição como a Copa do Mundo, disputada ao longo de 39 dias, com as seleções potencialmente jogando oito partidas nesses 39 dias, ter um momento para descansar é extremamente importante”, disse Infantino.
“O que importa ainda mais para nós é garantir que todas as seleções, em todas as partidas, joguem nas mesmas condições."
“É muito difícil aceitar que um técnico possa ter a oportunidade de influenciar uma partida fazendo ajustes simplesmente porque está mais quente, enquanto em outra partida, onde a temperatura é um pouco mais baixa, o mesmo técnico não tenha a mesma oportunidade”, completou.
Infantino afirmou que os intervalos não reduziram a intensidade das partidas, sugerindo que os jogadores conseguem manter um alto nível de desempenho durante todo o jogo.
(Reportagem de Suramya Kaushik em Bengaluru)