Fifa e Sindicato dos Jogadores anunciam acordo de cooperação


10 de junho (Reuters) - A Fifa e o sindicato mundial dos jogadores, o Fifpro, anunciaram nesta quarta-feira um acordo de cooperação que confere aos atletas um papel formal na governança do esporte e estabelece parâmetros para a negociação de mudanças no sistema de transferências, nas regras de bem-estar dos jogadores e períodos de descanso.

O acordo, válido até dezembro de 2031, reconhece formalmente o Fifpro como o sindicato global dos jogadores profissionais.

Ele, pela primeira vez, concede ao sindicato um assento no Conselho da Fifa e coloca representantes dos jogadores nos comitês jurídicos da entidade. Em troca, o Fifpro e seus sindicatos membros retirarão todas as ações legais em andamento contra a Fifa, órgão que rege o futebol mundial, e encerrarão seu apoio a quaisquer outras ações judiciais.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse em uma declaração conjunta divulgada por ambos os órgãos que o acordo marca “uma nova era no relacionamento da Fifa com o Fifpro”.

“Os jogadores moldam o esporte que todos nós amamos e devemos garantir a sua proteção e bem-estar”, disse.

O acordo prevê a criação de uma plataforma que reúna representantes dos jogadores, clubes e ligas. Pelos termos, quaisquer mudanças futuras no sistema global de transferências, nos padrões de bem-estar dos jogadores e nos períodos de descanso obrigatórios exigirão um acordo coletivo entre essas partes.

Como parte do acordo, o Fifpro concordou em respeitar o calendário oficial de partidas internacionais. O sindicato também apoiará regras que exijam que os clubes liberem jogadores para atuarem pela seleção nacional.

“Este acordo representa um importante passo à frente para o futebol”, disse o presidente do Fifpro, Sergio Marchi.

“Garantir que os jogadores e seus representantes tenham voz significativa nas decisões que afetam suas carreiras não é benéfico apenas para os jogadores, mas para o esporte como um todo.”

O acordo também estabelece um fundo de 20 milhões de dólares para o período de 2026 a 2029 para ajudar jogadores com salários atrasados de seus clubes e delineia planos para criar padrões mínimos globais para as seleções femininas.

Após o acordo com a Fifa, o Fifpro pediu que seus sindicatos membros se distanciassem de uma ação coletiva separada de vários bilhões de euros, liderada pela fundação holandesa Justice for Players (JfP) - Justiça pelos Jogadores.

Embora o sindicato global esteja desistindo de suas próprias ações judiciais, vários membros regionais, incluindo a holandesa VVCS, haviam apoiado a ação da JfP, que argumenta que as regras atuais de transferência suprimem os salários dos jogadores.

A ação coletiva independente, que permanece ativa para cerca de 100 mil jogadores elegíveis, foi apresentada após uma decisão histórica do Tribunal de Justiça Europeu contra os regulamentos de transferência da Fifa.

O anúncio chega dias depois de a Fifa informar que resolveu sua disputa com o ex-meia francês Lassana Diarra, que estava no centro do processo original no tribunal europeu.

(Reportagem de Tommy Lund em Gdansk)