Campeã europeia, Espanha é o time a ser batido na Copa do Mundo
MADRID, 2 Jun (Reuters) - A Espanha passou os últimos dois anos fazendo com que o futebol internacional parecesse um problema que cabe aos outros resolver e, com a Copa do Mundo se aproximando, a pergunta para as outras 47 seleções é bastante direta: quem pode parar a máquina vermelha de Luis de la Fuente?
A Espanha chega ao torneio após conquistar o quarto título da Eurocopa, se isolando como maior campeã da competição, com uma identidade coletiva deslumbrante e a aura de uma equipe que descobriu o ingrediente mais raro das grandes competições - estilo com garra.
O título na Alemanha em 2024 não foi conquistado com base em um único jogador irresistível, mas em um enxame deles.
A Espanha venceu todas as partidas, jogou um futebol rápido, direto e destemido, e várias vezes encontrou respostas no banco de reservas quando as partidas começavam a apresentar desafios difíceis.
A final contra a Inglaterra contou a história de forma clara.
O reserva Mikel Oyarzabal se tornou o décimo jogador da Espanha a marcar na Euro 2024 ao ajudar a criar e, em seguida, finalizar o gol aos 41 minutos do segundo tempo que selou a vitória por 2 a 1. Foi o 15º gol da Espanha no torneio, o maior número de qualquer seleção em uma Eurocopa.
No centro de tudo isso está De la Fuente, que já foi alvo de piadas na internet, como “Luis de la Quem?”, após ser promovido em 2022, depois de mais de uma década trabalhando nas categorias de base da Espanha.
Quase quatro anos depois, a piada envelheceu tão bem quanto uma banana esquecida em uma bolsa de academia.
O ponto forte de De la Fuente é que este grupo não foi montado às pressas. Ele já havia trabalhado com muitos dos jogadores que viajaram para a América do Norte, incluindo Rodri, Mikel Merino e Fabián Ruiz, que fizeram parte de seu sucesso com as seleções sub-19 e sub-21.
Ninguém, porém, se destacou de forma mais espetacular do que Lamine Yamal. O ponta do Barcelona ganhou destaque mundial aos 16 anos e foi importante na conquista da Euro 2024.
Isso o embalou a ter uma temporada 2024/25 notável, ajudando o Barça a conquistar a dobradinha espanhola - títulos da liga e da copa nacional - e terminou perto de Ousmane Dembélé, do Paris Saint-Germain, na votação da Bola de Ouro.
Esta temporada não foi tão tranquila, mas ainda bem-sucedida. Ele foi o craque do Barcelona na conquista do bicampeonato de La Liga.
Agora com 18 anos, Yamal tem lidado com um problema persistente na virilha e está correndo contra o tempo para se recuperar de uma grave lesão na coxa sofrida no final de abril. A Espanha está ansiosa para descobrir se chegará à Copa do Mundo em plena forma.
De la Fuente também tem outros problemas.
Merino está afastado dos gramados há meses com uma fratura no pé, o meia-atacante do Barça, Fermín López, está fora do torneio, com uma fratura semelhante, e Nico Williams também tem sofrido com problemas na virilha e na coxa.
No entanto, o grande trunfo da Espanha tem sido a continuidade em meio às adversidades. A equipe mantém a mesma formação, ritmo e agressividade independentemente de quem joga, preservando sua essência sem um tradicional camisa nove e com ameaças ofensivas espalhadas por todo o campo.
A derrota nos pênaltis para Portugal na final da Liga das Nações do ano passado foi um raro revés.
Fora isso, a Espanha de De la Fuente passou voando por 33 partidas, com 28 vitórias, três empates e duas derrotas.
A Copa do Mundo testará se esse ritmo pode resistir ao calor, às viagens, às lesões e às expectativas no Grupo H contra Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai. Por enquanto, a Espanha parece menos uma candidata ao título e mais a equipe que todos os outros devem perseguir.
(Reportagem de Fernando Kallas)