Brasil busca um recomeço contra o Haiti após estreia expor falhas conhecidas
MORRISTOWN, NOVA JERSEY, 17 Jun (Reuters) - O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira precisando de um recomeço na Copa do Mundo, em vez de apenas mais um vislumbre nostálgico do seu brilhante passado, após um empate decepcionante pelo Grupo C contra Marrocos que deixou a equipe de Carlo Ancelotti ferida, com dúvidas e pouca margem para mais um tropeço.
Os pentacampeões foram salvos em sua estreia por um lampejo de genialidade de Vinicius Jr., que empatou para o Brasil após Ismael Saibari abrir o placar para Marrocos logo no início de um primeiro tempo em que a seleção brasileira ficou encurralada e sem ideias.
Marrocos, campeão da Copa Africana das Nações e uma das maiores surpresas da Copa do Mundo de 2022 no Catar, pareceu mais afiado, mais ousado e mais coeso por longos períodos, deixando o Brasil aliviado por ter escapado com um ponto.
Agora vem o Haiti na Filadélfia, partida que o Brasil deve vencer, mas que também traz seus desafios.
O Haiti, um dos maiores azarões do torneio, estreou com uma derrota por 1 x 0 para a Escócia, mas o adversário mais complicado do Brasil talvez seja sua própria incerteza.
Ancelotti foi criticado por escalar o atacante Igor Thiago e o lateral-direito Roger Ibañez contra Marrocos, e os meias Casemiro e Lucas Paquetá tiveram grandes dificuldades antes do intervalo.
As entradas de Danilo, Fabinho e Matheus Cunha no segundo tempo trouxeram mais equilíbrio e energia, colocando o técnico italiano diante de um dilema habitual em grandes competições.
Ele deve manter os jogadores que começaram a estreia, preservando a coesão e a calma, ou responder com mudanças em busca de uma faísca?
Danilo disse que o debate não deve se resumir a uma única escalação e argumentou que o problema do Brasil vai além da rotação.
Ancelotti assumiu o comando pouco mais de um ano antes do torneio, muito menos tempo do que muitos rivais tiveram para construir uma identidade consolidada. O defensor afirmou que a falta de continuidade aumentou a pressão.
“Quando você tem um plano – algo que foi construído e é coeso –, quando as coisas começam a ficar difíceis, você se apega a isso”, disse Danilo. “Então, isso é algo que realmente não conseguimos construir.”
Há também a questão de Neymar. O atacante está correndo contra o tempo para se recuperar de uma lesão na panturrilha que o mantém afastado dos gramados há mais de um mês. Embora tenha voltado a treinar de forma limitada nesta quarta-feira, sua disponibilidade continua incerta.
Contra o Haiti, o Brasil precisa de garantias de que o tropeço contra Marrocos foi apenas um alerta que não definirá seu desempenho no torneio.
(Reportagem de Fernando Kallas)