Astros da Copa do Mundo: Messi, Cristiano, Modric. O segredo dos quarentões para manter o alto nível
E um aspecto em específico, que é comum aos dois, parece muitas vezes inatingível a meros mortais: uma performance esportiva de alto nível até a casa dos 40 anos.
Para além de todos os números impressionantes, a dupla vai chegar à Copa do Mundo integrando a lista seleta de jogadores mais velhos a disputar a competição: Cristiano Ronaldo com 41 anos e Messi prestes a completar 39 anos. O croata Luka Modric, já com 40 anos, também deve entrar para esse grupo.
O argentino, inclusive, chegou a 16 gols em Copas do Mundo ao marcar um hat-trick em Argentina x Argélia, na noite de terça (15). Ele igualou o alemão Klose como o maior artilheiro da história do Mundial masculino.
Mas quais fatores explicam a continuidade da carreira desses atletas até essa idade, ainda em alto nível? E mais: quais os segredos para continuar como jogador de alta performance até os 40 anos?
Os especialistas destacam que alguns pontos são essenciais para atingir esse resultado:
– O papel da genética e a qualidade técnica e tática desses poucos jogadores;
– A disciplina e a rotina regrada dos atletas;
– O avanço da medicina do esporte, especialmente da traumatologia.
Mas eles relembram que essa característica de longevidade na modalidade ainda é uma exceção entre os atletas. Ou seja, por mais que na Copa do Mundo haja alguns bons exemplos, isso não significa que há uma mudança na idade média dos jogadores, por exemplo.
E por mais que eles possam servir de inspiração para uma vida mais ativa, o esporte de alto rendimento não é regra nem parâmetro para pessoas comuns.
Genética e nível técnico
Ainda que seja uma condição para poucos, os especialistas destacam que alguns fatores físicos e até de características técnicas desses jogadores podem contribuir para a extensão da carreira.
Para Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP, a genética tem um peso importante nesse contexto, assim como muito do que envolve o esporte de alto rendimento.
“Quando você pensa em um jogador como o Cristiano Ronaldo, por exemplo, que tem um físico bastante privilegiado em relação a outros jogadores, a genética de fato tem um papel bastante relevante e não pode ser subjugada em relação a outros fatores comportamentais”, exemplifica o especialista.
Segundo o especialista, a genética também tem peso considerável na resposta do atleta ao treinamento e na adaptação ao estímulo físico, algo que varia muito de pessoa para pessoa.
“Eu posso até treinar como o Cristiano Ronaldo, mas dificilmente vou responder como ele. Porque isso envolve uma carga genética importante”, comenta Gualano.
Disciplina e recuperação
Outro ponto de destaque que contribui para a longevidade desses atletas no esporte é a disciplina nos treinamentos e na recuperação.
Por mais que todo jogador de alto nível encare um dia a dia intenso de treinos, a preocupação constante dessas exceções citadas com a alimentação, por exemplo, é essencial para que eles cheguem a competições como a Copa do Mundo – mesmo já aos 40 anos.
No caso de Cristiano Ronaldo, ele adota a dieta mediterrânea, que, em geral, inclui alto consumo de vegetais, leguminosas, frutas, peixes e gorduras consideradas boas, como azeite de oliva. Além disso, prevê o baixo consumo de laticínios e carnes vermelhas.
“O cuidado com o corpo é fundamental. Aqueles atletas que têm uma vida mais regrada e que, por sorte e precaução, não têm lesões muito graves tendem a conseguir uma carreira mais longeva dentro do esporte”, analisa Gualano.
E, nesse cenário, a recuperação e o controle de carga também são muito importantes. Roschel comenta que o controle de carga e a detecção antecipada de lesões ajudam muito a manter o jogador ativo a longo prazo.
“As análises mais modernas de desempenho facilitam a elaboração de um cronograma de treinamento e prevenção de sobrecarga, focando muito mais no cuidado com o aspecto físico”, afirma.
Evolução da medicina do esporte
Além da composição física desses atletas e da disposição para cuidar do corpo com o objetivo de seguirem ativos pela maior quantidade de tempo possível, um fator externo também é fundamental nesse processo: a evolução da medicina esportiva.
Os especialistas destacam especialmente o ganho tecnológico no campo da traumatologia, que atualmente consegue antecipar o retorno ao esporte após graves lesões.
“Há pouco tempo, muitas lesões para as quais hoje existe um tratamento não eram manejadas corretamente, não existia um protocolo de retorno à prática”, explica Gualano.
Fonte: Jornal O Sul
