50 dias para a Copa do Mundo: maior torneio da história chega sob tensão global e críticas por ingressos caros


A 50 dias de começar, a maior Copa do Mundo de todos os tempos, com 48 seleções e 104 partidas, lida com uma série de crises. A Guerra no Oriente Médio, políticas migratórias do presidente americano Donald Trump nos Estados Unidos e o elevado preço dos ingressos suscitaram críticas aos organizadores a pouco menos de dois meses para o início da competição de futebol mais importante do planeta.

O Mundial terá início no dia 11 de junho, data do jogo inaugural entre México e África do Sul, no lendário Estádio Azteca. Mas até agora, as discussões futebolísticas têm ficado em segundo plano, em muitos momentos, diante das crises internas dos países anfitriões, sobretudo os Estados Unidos.

A maior parte das tensões está relacionada aos EUA, que, em coordenação com Israel, iniciaram ataques contra o Irã no final de fevereiro de 2026. Embora o presidente da Fifa, Gianni Infantino, assegure que o Irã vai jogar o Mundial, não é certo que a seleção asiática, que conseguiu sua vaga no campo, viaje ao país que atacou sua nação para disputar a competição.

O ministro dos Esportes do Irã chegou a dizer que a participação da seleção estava em aberto devido ao conflito, mas recentemente declarou que a participação da seleção iraniana no torneio está condicionada a mudanças de locais das partidas da equipe, o que é inviável por razões logísticas e comerciais.

A seleção asiática caiu no Grupo G, e tem todas as três partidas da primeira fase marcadas para os Estados Unidos – duas em Los Angeles, contra Nova Zelândia e Bélgica, e uma em Seattle, diante do Egito.

Infantino crê que o futebol “deve estar fora da política”, ignorando que os ambos estão intrinsecamente relacionados. “Ok, não vivemos na Lua, vivemos no planeta Terra. Mas se não há mais ninguém que acredite na construção de pontes e em mantê-las intactas e juntas, bem, estamos fazendo isso”, afirmou o presidente da Fifa em declaração recente.

O chefe da Fifa tem sido questionado também a respeito dos exorbitantes preços dos ingressos para a Copa, que promete ser a mais cara da história.

A Fifa estabeleceu um sistema de preços dinâmicos, que variam conforme a demanda, o que fez os valores dispararem para muitas das partidas. Infantino atribuiu esse aumento ao “mercado”.

A maioria dos ingressos custa pelo menos US$ 200 (cerca de R$ 1 mil) para os jogos das seleções principais e US$ 2 mil (pouco mais de R$ 10 mil) para a final na categoria mais barata, enquanto os melhores lugares chegam a custar US$ 8.680 (quase R$ 45 mil).

Ainda há à venda ingressos para 44 das 72 partidas da fase de grupos na plataforma da Fifa. Dos três jogos do Brasil, existem bilhetes disponíveis apenas para o duelo com o Haiti, na Filadélfia, por US$ 2.280 (R$ 11,3 mil).

O torcedor que quiser ver a estreia dos anfitriões Estados Unidos, em 12 de junho, na região de Los Angeles, terá de pagar entre US$ 1,9 mil (R$ 9,5 mil) e US$ 4,1 mil (R$ 20 mil).

Os ingressos mais baratos, no momento, são para o confronto entre Curaçao e Costa do Marfim, vendidos por US$ 530 (R$ 2,6 mil).

Segundo a Fifa, foram vendidos, por enquanto, cerca de 2,5 milhões dos quase sete milhões de ingressos colocados à venda. A entidade acredita que o recorde histórico de público, de 3,5 milhões de pessoas nos estádios, estabelecido na Copa do Mundo de 1994, nos EUA, será superado.

Existem também as plataformas de revenda, incluindo a gerida pela própria Fifa. Este mercado secundário é livre e cada revendedor define o seu próprio preço, nos Estados Unidos e no Canadá. Trata-se de um sistema que eleva ainda mais os preços, já excludentes.

A Fifa projeta, em seu relatório financeiro, faturamento de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com entradas e pacotes de hospitalidade, e US$ 11 bilhões (R$ 54 bilhões) com toda a competição.

Também dispararam os preços das passagens de trem de Nova York para o MetLife Stadium, que receberá oito jogos do Mundial, incluindo a finalíssima.

O estádio fica na pequena cidade de East Rutherford. Existe um trem que sai de Nova York e deixa os torcedores no estacionamento da arena. As passagens de ida e volta para esse trajeto de cerca de 30 minutos custavam US$ 12,90 e serão vendidas na Copa por US$ 150 – 12 vezes mais cara.

O presidente e CEO da New Jersey Transit, Kris Kolluri, argumenta que essa tarifa elevada é necessária para compensar o custo de US$ 48 milhões da implementação de trens especiais para o estádio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Jornal O Sul